domingo, 30 de agosto de 2026
Deoclécio, o “coach” do Alegrete - 30 de agosto de 2026
Deoclécio, o
“coach” do Alegrete
Pois dizem que no
século passado havia lá pela capital do Rio Grande, um retratista de corrida de
auto que, pelo seu incontestável “talento e atualização de equipamentos”, era o
preferido de 99,9 por cento dos pilotos de carreira de auto, até das baratas.
Como as câmaras que usava não eram assim, digamos, as mais modernosas, como
seus métodos de anotações e planilhas de quem já fora ou seria fotografado
naquela corrida também eram do tempo da pedra lascada, um desinfeliz teve a
ideia de apelidar o retratista de “Lambe-Lambe”. Como os “Nutella” não sabem, “Lambe-Lambes”
eram aqueles fotógrafos de praças, que ficavam tirando retrato ao ar livre. Quando
lhes faltava água, na pressa, em algumas etapas de revelação dos retratos,
usavam a saliva (cuspe para os sem
frescura) e lambiam as fotos para a distribuição do líquido ficar homogênea.
As
fotos não ficavam o suprassumo da tecnologia de então, mas que duravam até um
ano, ah, isso duravam ...
O
tal “Lambe-Lambe” fazia umas fotos não
muito ruins, tendo efetuado a documentação de todas as corridas de velocidade
da década de 80 e início de 90. Como o sujeito tinha um certo preparo
intelectual e sabia acolherar as letras e ajojar as palavras em frases, lá
pelas tantas foi convidado para escrever a penúltima página dum jornal
especializado, o “Esportemotor”.
Era
tal página mais voltada à abordagem das pencas motorizadas sob um ângulo mais
humorístico e irônico do que, propriamente, sério. E não é que agradava?!
Lá
pelas tantas o fotógrafo-escrevinhador, na falta de assunto, (e qual escritor
já não enfrentou a situação?) inventou de criar em sua imaginação um sujeito
bem gaudério, duma cidade bem raiz, para fazer parte do mundo automobilístico.
Nasceu
o Deoclécio, lá por 1986, um peão de estância que se apaixonou pelas corridas
de baratinhas, quando o Nelson Piquet estava por cima da carne seca.
Tanto
o peão gostava de corridas que encasquetou que também seria piloto. A primeira
coisa que fez, então, foi confabular com seu Ponciano, estancieiro louco de
buenacho e pedir para dar umas tratoreadas, na hora de fazer alguma pastagem,
transportar moirões e rolos de arame para um fundo de campo.
-
Só pra i me ambientando com as cosa!
-
Mas Deoclécio, tu é o melhor capataz que já tive e agora me vem querendo
crescer que nem rabo-de-cavalo, pra baxo? Ora, virar tratorista agora, para
adespoi ser piloto de Fórmula 1 ... Cada ideia ...
-
Mas patrão, não tô de brinquedo. Degavar nas preda eu chego lá!
Como
era homem da “velha templa” e já escasseavam os ditos pelo pampa a fora, seu
Ponciano deu um jeito e autorizou o tratorista a começar alguns treininhos
básicos com o capataz.
Num
tapa se mostrou taura nas tratoreadas e assim foi misturando trabalho de
rodeios, marcações, banho de carrapaticida, cura de bicheiras, coisa e tal, com
andanças de trator.
E
tinha mais, nem que a vaca tossisse que ele saía pro campo em manhã de domingo,
na hora da Fórmula 1.
-
Les garanto, um dia eu chego lá.
...
Não
chegou a tanto, mas não falhava a nenhuma “Doze Horas de Tarumã” e, por
incrível que pareça, chegou até a participar duma delas, como piloto dum
Chevette.
Como
ficou muito amigo do fotógrafo, por ser o retratista também piloto de avião,
começou a se interessar pelos “aparelhos”. Andou até iniciando um Curso de PP,
que não chegou a terminar, mas aprontou
algumas, inclusive um voo solo de Ipanema, o mais popular avião agrícola do
Brasil.
Mas
o tempo passa, as pessoas que levam uma vida rústica, desgastam-se muito antes
do que os povoeiros. O Deoclécio teve que abandonar as lidas de campo e, com as
economias que fizera como capataz, comprou uma casinha na entrada do Alegrete, quem
vem das bandas de Maçambará/Itaqui pela Estrada do Meio.
O
índio era grosso, mas nunca foi burro. Inscreveu no EJA (Educação de Jovens e
Adultos) e, ao contrário do que muitos pensavam, foi pra já que conseguiu
aprovação no II grau.
Sua
letra era feia como briga de foice no escuro, seu raciocínio escolar um tanto
lento, mas sempre um pouco acima do esperado e, quando todos se deram conta o
quera estava prestando vestibular.
E
não é que passou?
Começou
um curso de administração de empresas, mas não se emparelhou com as matérias e
os professores. Como sempre foi um sujeito observador e gostava de analisar o
jeito da peonada e, ainda, por estar de namoriscos com uma prenda vinte e cinco
anos mais nova, estudante de psicologia, por influência dela e, segundo o
“Lambe-Lambe, por medo de perder a prenda para algum frangote colafina,
resolveu encarar a tal faculdade.
Com
sua prática de vida, com o tempo que tinha para analisar os parceiros de
trabalho, começou a combinar o aprendizado campeiro com a teoria acadêmica.
Para
encurtar, o sujeito terminou o curso, mas não entrou para a área da psicologia
propriamente dita, pois achou que havia um bom nicho de mercado neste negócio
de “coach”.
Por
mera curiosidade ou não, o fato é que, num vapt-vupt, o seu escritório/consultório
estava sempre atopetado de gente.
Um
de seus primeiros contratantes foi um fazendeiro/granjeiro que se endividou até
a raiz das unhas, com cinco anos de seca nas lavouras e pastagens.
-
Doutor, tô numa pua braba. Se vendê metade das terra, ainda fico devendo a
outra metade. Mas não sou de entregá a rapadura. Vou calçá o pé e achá um jeito
de saí desse brete.
-
Por premero: não sou doutor. Fiz esse tal curso, mas continuo sendo um peão de
estância e capataz que sempre deu atenção ao jeito com que cada um enfrenta as
peleia. O Curso só me deu a certeza de que
quagi tudo que eu sabia tinha respaldo intelectual-científico.
-
Esse tal de “coche” de que tanto falam, nada mais é do que um sujeito de tutano
que não se afroxa assim no más. E tenta passar pros otro o mesmo jeito de
continuar peleando.
-
Mas hombre, eu já não consigo dormi,
pensando no monte de conta que tenho pra pagá. Além do financiamento,
tem uns adubo e defensivo que comprei direto com um amigo. Amigaço desde piá.
Como é que eu vô deixa o homi pendurado no pincel?
-
Mas tchê, quem é que tem dinheiro a receber, ele ou tu?
-
Ele, claro, que espera que le pague o quanto antes. E como é que vô estraga uma
amizade dessas?
-
Tem falado com ele?
-
Seguidito no más. Uma ou duas veiz por semana, pra toma uma cerveja. Mas eu
fico até com vergonha de me deverti com um sujeito que espera um monte de dinhero
que devo.
-
E ele se queixa de que não dorme dereito?
-
Nunca.
-
Então, bagual, larga de sê burro. Se ele que tem que recebê os troco dorme loco
de bem, por que tu é que perde o sono?
-
Como diz aquele gordo, o Sérgio Cortella, tu não tá fazendo o teu melhor?
-
Mas claro que tô.
-
Taí, seu bocó, larga de sê imbecil, toma um gol de canha antes de dormi, pensa
numa das guria lá da casa da luz roxa, esquece as conta. Foi tu que fechô as
tornera do Céu e causou a seca? Não, não é? Te atraca a trabalhá, planta o que
dé, paga o que pudé e não me aparece
aqui com essas chorumingança.
Dizem
que o “coatchê” seguiu os conselhos, deu chuva na safra seguinte, ele foi
pagando aos poucos e, três anos, depois estava zerado, feliz da vida e, se
alguém ousasse falar mal dum “coach” perto dele, era certo de sair, no mínimo,
com o lombo riscado.
E
a fama do Deoclécio foi crescendo, crescendo.
Acompanhe
a evolução do peão, piloto de corrida e de avião que está ficando milionário
com a dívida do agro gaúcho ...
Qualquer dia desses o Lambe-Lambe-Retratista publica novo “capítalo”
desta epopeia gauchesca que, dizem, até já
tem cinco redes de TV interessadas em
comprar o roteiro para produzir séries, novelas, filmes, essas “cosa”.
quarta-feira, 19 de agosto de 2026
Aprontação de Piá Arteiro - 19 dde agosto de 2026
O que um piá de fazenda, flor de arteiro é capaz de fazer ...
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domingo, 16 de agosto de 2026
A Primeira Pane Real
Lá pelo Ano da Graça de 1996, havia um certo fotógrafo, alcunhado Lambe-Lambe, em homenagem a seus colegas antecessores, que fotografavam nas praças de pequenas e grandes cidades. Quando por algum motivo lhes faltava água, não hesitavam em usar a saliva - cuspe, para quem não tem frescurite - nalgumas etapas da revelação. E distribuíam o líquido lambendo as fotos, que também não hesitavam em desbotar meio logo ...
Pois o Lambe-Lambe Retratista, como complementou o apelido o Jader Dutra, Decano dos Pilotos do Rio Grande do Sul, que aos oitenta e oito anos voa seus aviões, inclusive um RV-9(?), solito e faceiro como mosca em tampa de xarope, andava retratando cidades, empresas, praias, fazendas, granjas, etc. e que lá mais sei eu, lá por Santa Catarina - naquele tempo ainda Bela. Dito aprendiz de fotógrafo (ainda continua e não aprende ...) chegou lá por Tubarão à cata de avião para alugar, visando seus voos fotografantes. Sucedeu que, por algum motivo, não havia objeto voador e piloto disponíveis simultaneamente. Até que um piloto ou, acho que também picareta de aviões, veio com a sugestão de compra de um ultraleve.
- É barato, não tem tanta encheção de linguiça com o DAC (agora ANAC), pousa em pista curta. Serve como uma luva para o teu caso.
Como não poderia fotografar ali por falta de avião e na falta do que fazer, dei corda ao assunto:
- E onde encontro um ultraleve por aqui? - falei por falar.
- Ué, compra o do Sombra. É um Netuno, motor de fusca, fácil e barata manutenção. Em qualquer beira de estrada tu chega num bolicho e arruma quem tenha uma vela, um platinado e outras peças mais comuns.
Como o Renato Vargas, meu colega de PP no Aeroclube de São Leopoldo tinha um e estava satisfeito, resolvi levar o assunto adiante.
- E onde eu falo com esse tal de Sombra?
Só então o sujeito deu-se conta de que estava meio brigado com o Sombra e que não poderia entrar de atravessador no negócio. De repente, ao ser interrogado sobre o endereço do Sombra, desconversou, disse que não sabia, essas coisas ... Apenas deu um indicativo do bairro onde estaria o Netuno. É lá no Oficinas, bairro onde ficavam as oficinas da antiga ferrovia.
Perdi um tempão procurando o Sombra, mas ele estava oculto nas sombras ... Até que alguém falou:
- Acho que tu tá procurando o Reginaldo, que é piloto executivo e mora lá pertinho do Aeroclube, umas duas quadras, se tanto.
Fui lá, mas o Sombra andava em voos pelo Paraná.
Resumindo um pouco. Depois de muitas idas e vindas, tempos e contratempos, chove-e-não-molha, chegamos a um acordo e o tal Netuno passou a ser meu e da patroa do momento, pois ela concordou em abrir mão temporariamente de sua Variant azul-pavão, ficando com o lado direito da aeronave e eu com o lado esquerdo. Caso não conseguisse pagar-lhe a Variant foi-me dada a opção amorosa de continuar voando apenas com o meu lado ...
O Sombra, que estava "de a pé" quanto a carro-próprio, ficou contente por ter um "moderno" automóvel em sua garagem.
Eu, um eterno locatário de tecos para meus retratos, também fiquei bobo que nem guri de bombacha nova.
- Sombra, vais ter que me dar uns duplos.
- Sem problema.
E nos fomos. Eu na esquerda, ele na direita, de instrutor.
Um dos voo duplo mais rápidos que fiz em minha vida. Acho que três turnos de pista e, sem mais aquela, o comandante começou a falar que era suficiente, que eu era um PP experiente, que sabia o que fazer com um avião como o Netuno.
Ele encurtou o Curso Intensivo por dois motivos: a) o motor, sempre que era um pouco mais exigido, aquecia muito - só funcionando quase bem com apenas um passageiro; b) ele, que gostava duma birita estava necessitado de dar uma "calibrada no braço".
Prometeu que ia em casa, almoçava e, questão de uma hora depois estaria de volta.
Quando informei o pessoal que acorrera ao Aeroclube para ver o que estava acontecendo, pois o Netuno estava parado há mais de ano, que estava aguardando o Sombra para dali a pouco, riram de se dobrar.
- Se amanhã é "daqui a pouco, tudo bem".
De fato, o homem sumiu.
Agora imaginem se um fominha como eu, diante de seu primeiro avião próprio (ultraleve, mas avião) iria se aguentar sem voar até o dia seguinte.
Foi pra já que comecei a fazer meus turninhos de pista. O Sombra, que já calibrara o braço, almoçara, dormira a mais não poder, quando se acordou da sesta, ouviu um ronco de motor passando sobre sua casa.
Pensou: "Esse Barbosa, pode não ser bom piloto, mas que tem colhão, ah, isso tem. Acho melhor ir lá antes que ele apronte alguma".
Chegou e quando voltei para uma descansadinha, lá estava a figura.
- Eu te disse que era fácil de pegar o jeito e "vestir" o avião.
- Nem vou entrar mais. Continua solo - acrescentou.
Mais uns turnos de pista, tudo nos conformes, tive que parar, pois estava ficando tarde e o galpão de uma empresa vizinha seria nosso hangar improvisado. Ocorre que não tinha largura de porta adequada e para botar o avião lá dentro (12 m de envergadura) foi um "Deus nos acuda".
Já anoitecia quando o "meu avião" estava guardado.
O Paulo, meu irmão, mais o piloto-operador nos mandamos pro hotelzinho.
Quase não dormi aquela noite, esperando que clareasse, a fim de fazer uns voos com a atmosfera lisa e tranquila.
Suamos para tirar o Netuno do galpão-hangar e pra já lá estava o "Lambe-Lambe" fazendo mais uns voos, para pegar bem o jeito e ficar confiante para o traslado de Tubarão a Porto Alegre.
Para prestigiar o meu ajudante Paulo, o convidei para um turno de pista, pois era cedo e a temperatura do ar era tolerável.
Decolamos, fizemos um turno de pista, eu com o olho na temperatura de cabeça de pistão, quase entrando no vermelho na subida, pois o Paulo estava pesando 95 quilos na época e o motor estranhou a sobrecarga.
O pouso foi quase normal, mas o teco deu uma flutuadinha, fiz o certo, dei um toquezinho no motor, mas no novo toque também não ficou colado ao solo.
O "saco" se assustou e falou alto:
- Arremete.
Eu, mero PP, sempre ouvindo os instrutores, no automático achei que a ordem vieram dum deles e arremeti.
O motor que mal saíra do vermelho, com a descida, mas que tava no limite, entrou no crítico e o manicaca aqui, começou a reduzir, tentando baixar a temperatura do motor.
Reduzindo, baixando, reduzindo, baixando, até que o passageiro falou:
- Quase batemos no abacateiro!!!
Empurrei a manete, o Volkswagen de um gemido-suspiro, mas aumentar o giro, nem pensar.
Tentei curvar rumo a uma lavora de arroz, à esquerda.
Quando olhei a velocidade, me apavorei, estávamos a 29 milhas, velocidade do estol.
Gritei:
- Essa merda vai ...
- Cair - que saiu somente quando já estávamos devidamente enterrados num bananal.
Eu estava ileso.
Olho para a direita e não vejo no banco o carona: que estava no escuro do bananal, amontoado embaixo do painel de instrumentos:
- Tu tá bem? perguntei.
- Acho que sim.
E foi se erguendo vagarosamente, sem grandes gemidos ou reclamações de dor. Não é que estava ileso também?
O desinfeliz, sei lá por qual motivo não colocara o cinto.
Claro que também foi culpa minha, que não chequei o cinto dele, mas o início de minha carreira de operador-piloto não foi assim, uma Brastemp ...
Bem à esquerda, Sombra; camisa branca - amigo do Sombra, mecânico; magrinho sem camisa - saudoso Krupp; que estava indo a Curitiba buscar seu Kitfox, que depois foi meu; regata cor não - Renato Vargas; a seguir, sem camisa também saudoso Laurindo; último à direita - mano Paulo.
E o Netuno veio para Porto Alegre/Canoas, voando por terra ...
sábado, 15 de agosto de 2026
quarta-feira, 12 de agosto de 2026
12 de agosto de 2025 - Frio, Vento e Chuva - vídeo
Temperatura de nove graus.________________________________________
segunda-feira, 10 de agosto de 2026
10 de agosto de 2026 - /tempo - Grêmio e Inter
Muito tempo depois,
Tanto Inter quanto Grêmio
Até merecem um prêmio,
Pois jogaram bem, os dois.
“É carreta atrás dos bois”!
Finalmente o esperado,
O futebol bem jogado.
Que prossigam nesta senda
Diversão e, ainda, renda
Pra Grêmio e pra Colorado!
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Tempo
sábado, 8 de agosto de 2026
Reconheço que Sou um Manicaca - paródia da música do Imortal Gildo de Freitas
Para felicidade de meus cinco seguidores, não me atrevo a cantar a paródia, apenas tento declamar ...
As três pessoas que ouviram, emntiram pro Vovô e disseram que haviam gostado.
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