domingo, 19 de abril de 2026
domingo, 29 de março de 2026
O Avião que Ficou - 29 de março de 2026
Num distante dia de outono ou
inverno do ano da Graça de mil novecentos e sessenta e dois um grupo de
crianças, na falta de coisa melhor a fazer, comia bergamotas nos fundos da Fazendola
Bom Retiro. A tal propriedade localizava-se no município de São Vicente, que
naquela tarde era chamado de General Vargas e que anos depois voltou a ser São
Vicente, só que do Sul. Essa trocança de nomes, aconteceu, claro, por motivos
políticos, politiqueiros ou coisa que o valha.
Eis
que de repente começa uma ronqueira de motores possantes fazendo eco na
serrania para as bandas da Vila Mata.
Aquele
piazedo até estava acostumado com ronco de motores de avião, pois dita
ex-fazenda, agora pouco mais do que uma chácara por causa da divisão
entre os herdeiros, estava localizada bem na rota dos aviões de linha comercial
regular que vinha da capital Porto Alegre, para, pousa aqui e ali, chegar até
Uruguaiana e São Borja. Mas os "aparelhos" passavam alto, isso
amortecendo em muito o som das aves metálicas. Por isso muitas vezes a gurizada
não conseguia visualizar a condução aérea dos felizardos ricaços que faziam
suas viagens em tão maravilhosas máquinas.
Naquele
tempo voar de avião para nós não passava de um sonho distante, irrealizável. Aquilo
só estava ao alcance de fazendeiros, doutores, advogados, engenheiros,
comerciantes fortes, políticos de destaque e seus assessores nem tão
destacados, mas mui astutos ...
Só
que nesse dia nublado, estranhamente, o ronco era muito mais forte e, sem
mais nem menos, nos surge aquele monstro alado quase tocando no topo das
coxilhas, vindo em nossa direção.
Uns
piás gritaram:
-
Vamos correr que vai cair e pode ser em cima de nós.
Alguém
da turma foi mais sensato:
-
É melhor a gente ficar olhando e só correr quando se tiver
certeza do lugar onde vai bater no chão.
Ficamos
ali, paralisados de terror e maravilhados pelo privilégio de ver um avião de
perto, duas enormes emoções.
Acabamos
um pouco decepcionados quando tivemos a certeza de que, se caísse, não iria ser
tão perto de nós, pelo novo rumo tomado.
E
lá se foram, avião, piloto, copiloto, aeromoça, passageiros endinheirados,
políticos espertos e os infalíveis "piolhos-de-rico", raça que, como
a das baratas, sempre existiu e nunca deixará de existir, no rumo do campo de
aviação de Santiago.
Claro
que nenhuma criança queria um morticínio, mas, confesso, todos nós
ficamos chateados por que não seria daquela vez que iríamos conhecer um avião
de perto.
Não
duvido que alguns ou todos, inclusive o escrevinhador, houvessem torcido pelo
pouso forçado num campo ali perto. Afinal, já não houvera casos de avião cair
em campos e lavouras sem que ninguém houvesse morrido?
"O
que custava fazer um pouso de emergência ali na Palma e encher de alegria e
felicidade o coração daquela gurizada? Não acontecera uns anos antes
o pouso dum avião pequeno, ali na estrada da Vila Mata, com os dois homens que
estavam nele saindo sem nenhum arranhão?"
E
aquela foi a sensação do dia, da semana, talvez do mês.
E
mais: não duvido de que aquela passagem rasante sob a camada baixa que lambia
os cerros da Mata e Taquarixim, seja a culpada de este
retratista/escrevinhador haver feito enormes sacrifícios para cursar o PP,
pelear outro tanto para comprar seu primeiro ultraleve e continuar voando até
os presentes setenta e dois invernos.
O
DC-3 da saudosa Varig felizmente não caiu, deve ter chegado ao seu destino ou,
na pior das hipóteses, alternado para algum pouso seguro. Mas nem a Varig, nem
o piloto, nem a aeromoça tiveram ideia do quanto marcaram os corações daquelas
humildes crianças, filhos de meros agricultores agregados ou simples vendedores de livros, sendo que um
dos piás era órfão de pai, todos jamais acreditando em realizar o sonho de um
dia sair do chão.
Certas
coisas vêm no gene e não duvido que lá numa das ínfimas moléculas de DNA tenha
vindo a ordem: este aí tem que voar um dia.
Mas
também não duvido que aquele DC-3 passando baixo pela Palma, lambendo coxilhas,
seja o culpado por haver um pobre fotógrafo empenhado até a alma para
conquistar seu brevê e continuar suando sangue para ter suas próprias
maquininhas voadoras, simples, elementares, mas voantes.
Claro
que muitos invejam aqueles que têm o privilégio de voar. Claro também que a maioria dos humanos sonha em ter asas, mas
raros são os capazes de qualquer sacrifício para realizar o sonho de dar uma
rasteira na lei da gravidade.
Como
diz aquele ditado: só quem voa sabe porque os passarinhos cantam.
Este
desejo ancestral está em todos nós e felizes os que conseguem realizá-lo.
Meus
profundos e sinceros agradecimentos a S. Pedro, que forçou aquele comandante,
nos tempos heroicos da aviação, a voar ciscando; que adivinhou onde estava
aquele piazedo de campanha para, qual um piloto agrícola, fazer um tiro
perfeito lançando, não azevém, mas a semente da aviação.
Pelo
menos uma germinou.
Palma, junho 2021.
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Esta é a primeira crônica do Livro que também tem este nome, por haver sido ela a impulsionadora do blogueiro a se tornar um manicaca.
Para comprar o livro, basta contatar pelo whats (55)99997-6269. A versão papel custa R$ 69,50 e a versão digital (arquivo liberado no Google Drive) apenasmente R$29,50.
Contribua para que um escrevinhador evolua para a categoria de escritor ...
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segunda-feira, 16 de março de 2026
16 de março de 2026 - Inter Perde em Casa - Pajada - Estupro em S. Pedro do Sul
ETERNA BUSCA
Prossegue o "procuramento"
Crime Hediondo em S. Pedro do Sul - Padrasto Estuprava Enteada Desde os Dez Anos
A notícia em si, todos já devem ter visto. Por isso blogueiro visa mais comentar e manifestar sua revolta e repúdio.
Todos sabem que no sistema prisional há uma regra, sempre obedecida: os estupradores recebem corretivos que nenhum meio oficial aplica. Consta que recebem o mesmo tratamento que dispensavam às suas vítimas. Não se quer defender os aplicadores da "Justiça com as próprias mãos", mas este é um dos poucos casos em que não existe impunidade para o criminoso e, contraditoriamente, não é o Estado o aplicador da Lei e o defensor da sociedade.
Há um tabu quanto a pena de morte. Claro que houve erros judiciais no passado, onde inocentes acabaram mortos. Agora, em casos onde a culpa fica cristalinamente comprovada, este crime mais do que hediondo, que vitima crianças ou mulheres indefesas, não merece abrandamento na aplicação das penas. Os contrários à pena de morte, alegam que defendem a vida. Defender a vida é uma coisa: defender quem, em muitos casos, matou para satisfazer seus instintos bestiais é defender a vida? E a vida duma criança morta não vale nada?
Neste caso o criminoso não matou a vítima, até porque, supõe-se, pretendia continuar no seu procedimento brutal, ameaçando a vítima de morte.
Não conhece o blogueiro um único caso de estuprador que se haja regenerado. Ao contrário, quando surge um novo crime destes, antes mesmo de que se haja prendido o lixo que envergonha a raça humana, não digo animal para não ofender os bichos, já se sabe: em quase todos os casos, foi cometido por um foragido ou condenado anteriormente pelo mesmo delito, mesmo que já haja cumprido a pena.
O mais triste neste caso é que, segundo foi noticiado, quando a vítima apresentava sintomas de desajuste pelo trauma, a própria mãe chegou a afirmar que preferia que a menina (entre os dez e treze anos) saísse de casa e não o estuprador. Mulher que prefere um homem a uma filha inocente, para mim envergonha todas as mulheres e mães.
O caso somente foi descoberto pelas professoras da escola onde a vulnerável estudava.
O triste é que continuaremos vendo estes crimes seguidamente.
Os autores, mesmo sabendo que na cadeia receberão o mesmo tratamento que deram às vítimas, continuarão soltos por aí, rindo da sociedade, de suas vítimas e das pessoas de bem.
Se alguém souber de uma solução, em que se trate este tipo de gente com bondade, gentileza, tentativa de reeducação, que se manifeste. E, por gentileza, cite e prove que conhece casos em que este tipo de monstro regenerou-se.
"Quanto mais conheço os homens, mais estimo os animais."
Alexandre Herculano.
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domingo, 8 de março de 2026
Dia Internacional da Mulher e Pajadinha Humorística
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O
Tempo Passa
Quando
a gente é jovem, a impressão que nos domina é a de que somos eternos,
inatingíveis, insuperáveis e os escolhidos pelos deuses do Olimpo para realizar
todos os nossos sonhos.
Aos
poucos a vida vai nos ensinando que não é bem assim. Raros sonhos conseguimos
realizar, as conquistas planejadas, parece que conseguem sempre conseguir uma
certa dianteira sobre nossa caminhada.
Felizmente
o ser humano, na maior parte dos casos, insiste na crença de que uma hora vai
dar certo.
E,
às vezes, dá.
É
o caso dos pilotos. Se não, vejamos:
Todos
sonhamos em ter a vida dos pássaros, mas eles são mais felizes porque já nascem
com asas. A única asa que temos é a do desodorante vencido ...
Há
os privilegiados que nascem em berço de ouro, onde os pais podem abrir caminho
com seu apoio financeiro. Os “Lambe-Lambe-Retratistas”, coitados, têm que
fotografar muito casório, batizado, formatura, passar noites sem dormir
cobrindo tais eventos para, ao final de duas semanas, conseguir uns troquinhos
extras e voar uma horinha para acrescentar à Caderneta Individual de Voo.
Quando consegue voar de novo, já perdeu a embocadura do treinamento anterior e
assim o brevê parece que, em vez de se aproximar, abre mais distância do infeliz
candidato a Ícaro.
Mas,
uma coisa é verdade: quem foi atacado pelo vírus da aviação, tem na própria
doença o remédio que lhe dá forças para insistir. E a perseverança, depois de
longo tempo acaba sendo premiada. Um belo dia o instrutor, ao final da missão
informa: te prepara, no próximo voo vamos checar.
São
dias e noites de enorme expectativa: a boa – saber que o sonho de ser piloto
está ao alcance do braço, melhor dizendo, do pé e mão – e se eu ficar nervoso,
se errar alguma manobra, me apavorar e pedir para retornar e checando noutro
dia?
Mas
o homenzinho não se entrega e encara o desafio de peito aberto, mãos tremendo e
sovaco derrotando zorrilhos de tão fedido. Até hoje acho que meu checador, o
Pizzato, brevetou-me para não ter que suportar a fedentina outra vez ...
E,
quando vimos, apesar das dificuldades, somos pilotos.
Cada
um segue seu caminho: um vai ser Piloto de Linha Aérea, outro escolhe a
Executiva, os que buscam fortes emoções – Aviação Agrícola e, uns que outros
vão voando aqui, voando ali em aviões alugados,
um dia resolvem comprar um ultralevezinho básico e saem a fazer fotos
por este mundão sem fim.
Não
há vacina que previna o ataque do vírus aéreo. Inoculado no organismo do
infeliz, este fica condenado a sofrer da doença até que voa num cockpit meio
estranho, apertado, na horizontal, sem asas e sustentado, não por reações
aerodinâmicas, mas pelo emocionado adeus de amigos e familiares.
Enquanto
este dia não chega, a grande maioria dos pilotos é, de fato, uma classe
privilegiadíssima. Conseguimos olhar nossos semelhantes e o mundo, quase sempre de cima. Sabemos que somos invejados e
não somos egoístas: vivemos tentando trazer para nosso mundo outros amigos, parentes e, até mesmo,
estranhos. Talvez porque saibamos que são raros os que têm o privilégio de voar
até seu último dia e alguém deve ocupar nosso lugar.
Voar,
exige raciocínio rápido, coragem, decisão, atitude, reflexos agilíssimos,
movimentos coordenados e precisos. Infelizmente a mãe natureza nos dá uma cota
destas qualidades. À medida que o tempo escorre, vamos gastando nossas
reservas, mas não nos damos conta ou fazemos de conta que não nos conscientizamos
...
Este
manicaca, um belo dia sofreu uma pilonagem, quando estava há alguns dias de
completar o ciclo onde a gente passa a ser chamado de idoso.
Era
um dia de Vento Norte, fortezito, de quarenta e cinco graus, a estibordo.
Quando vi, o tequinho deu uma guinada forte para a esquerda. Dei um motorzinho,
realinhei a nave e fui para o toque final. Que se realizou duma forma toda
escalafobética: quando o trem esquerdo tocou o solo, um outro ser assumiu o
comando e o Kitfox deu outra guinada,
esta violentíssima e perdi o comando direcional totalmente. A tal guinada para
a esquerda desequilibrou o aviãozinho de tal forma que a asa direita bateu com
tanta decisão no solo e, com nariz e asa freando, não deu outra: pilonamos.
Não
houve dano pessoal maior do que a troca de cueca e saí do meu pouso invertido
me xingando de tudo e mais um pouco: “Velho burro, incompetente, não consegue
dominar um teco-teco com um vento que nem é tão forte assim.
E
me desmoralizava por mim próprio.
Aí
chega um cidadão, que estava ajudando na poda do arvoredo da chácara e fala:
-
Seu Vilsom, o senhor viu que perdeu o pneu esquerdo?
De
fato, o dito resolvera correr na pista e ir até o lugar onde se taxiava para o
hangar, para diminuir o trabalho de resgate, talvez por um reflexo
inconsciente, lá dele, pneu.
Conto
isto para exemplificar que, ao menos uma vez na vida me dei conta de que já não
tinha os mesmo reflexos, embora a pilonagem fosse inevitável, pois a
ponta-de-eixo se partira. E não houvera placaço. O pouso fora suave, tocando a
roda direita (do vento) com suavidade levando o teco inclinado para evitar que
o vento entrasse por baixo e dificultasse o domínio. Quando a sustentação
terminou, era hora de tocar com o trem esquerdo, que tinha só o triângulo, tipo
uma estaca, para cravar com vontade na
grama...
O
fato é que, como diz a música “a gente mal nasce, já começa a morrer!”
Embora
seja bom não entregar a rapadura, pode ser ruim insistir demais com o
faz-de-conta de que ainda somos aquele guri que subiu no tequinho há décadas
para o seu primeiro voo – o famoso em linha reta horizontal, ou quase ...
A
grande maioria dos pilotos só para quando realmente não dá mais. Parece que a
vontade de continuar voando é maior do que continuar vivendo.
Se
isto é bom, ruim, nada disso, não tenho autoridade nem conhecimento para
decidir. Mas um mosquito me cochichou estes dias que há uma hora em que temos
de tomar a decisão: este foi meu último voo em comando.
E
até relembro do voo em que sofri uma pane de profundor, não total, mas que eu
não sabia em qual momento ela se transformaria em perda completa do comando.
“Seu
burro! Há quanto tempo já devias ter parado! “
Prosseguindo:
“Se me safar desta e conseguir pousar com vida, nunca mais piloto um avião.
Aqui mesmo nesta pista que, providencialmente está próxima da pane, desmonto o
tequinho, ponho em cima dum caminhão e o transformo em pilas o quanto antes.”
Pousei,
descobri a quebra de uma peça de fixação, fizemos com a ajuda do dono da pista
e seu filho uma improvisação para sempre, segura e reforçada.
Que durou dois anos e meio com, adivinhem qual
piloto voando?
Hoje,
aos setenta e três invernos, estou quase que completamente convencido de que
nunca mais comandarei um avião.
Será?
Contatem-me
por whats, telefone, telepatia, etc. daqui a vinte anos.
Prometo
responder sem faltar com a palavra ou a verdade.
Palma
– São Vicente do Sul, 07/03/2026.
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026
sábado, 3 de janeiro de 2026
domingo, 31 de agosto de 2025
EPAER SÃO GABRIEL 2025
Tchê, tu prepara teu pingo:
Deixa-o bem amilhado
E muito bem aperado.
Próxima sexta a domingo,
Se tu não vieres te xingo
De nome feio a granel.
Me diz, qual é teu pastel?
Pra que tu quer avião,
Se nunca vem ao festão
EPAER – SÃO GABRIEL!
E assim eu me preparo,
Troteando pra adelgaçar
E espaço reservar,
Pois me guio pelo faro.
Pra todos fique bem claro:
Amigos ver em quantia,
Aviões acrobacia,
Mate, chopp e churrasco.
São Gabriel não faz fiasco
E melhora dia a dia!
sexta-feira, 29 de agosto de 2025
FALTAM SEIS DIAS PARA O EPAER 2025 - SÃO GABRIEL
Quem nunca veio a um EPAER em São Gabriel, ainda está por conhecer a verdadeira hospitalidade gaúcha!
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domingo, 20 de julho de 2025
ESPELHO TENTADOR
Tem horas em que não ter um tequinho até é bom para a saúde ...
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O livro "O Avião que Ficou" está começando a deslanchar. Alguns comentaram que a burocracia para a compra está dificultando as coisas.
domingo, 13 de julho de 2025
Maçambará - Encontro Leonel
SÁBADO, 12 DE JULHO DE 2025
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Pajadinha com minha "Vingança Maligna" por perder a festa
Segundo minhas fontes fidedignas teve carne, sim, e da boa. Mas nas fotos eu não vi a fumaça. Aí me ocorreu a ideia maligna ...
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terça-feira, 17 de junho de 2025
Impressionate Chuva em Curto Intervalo
Possibilidade de Grande Enchente na Região
domingo, 15 de junho de 2025
15 de junho de 2925
TEMPO
Várzea do Toropi já começa a ter algum alagamento. Como teremos mais 48 h de elevação das águas, certamente aí vem mais uma cheia.
E "dizque" segunda bate água de novo.
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BICHOS E HOMENS
Vilsom Jair Barbosa
Lá em Gênesis 1:27 a Bíblia diz que “criou Deus o homem à sua imagem e semelhança”.
E prossegue: “domine ele sobre os peixes do mar, sobre s aves dos céus, sobre os animais domésticos, sobre toda a terra e sobre todos os répteis que rastejam pela terra”.
Não se assustem os meus três seguidores que não venho com pregação religiosa e pedido para que se convertam a esta ou aquela denominação, muito menos que venham a encher os bolsos dos Chapelões, Bispos, Malafaias, etc., etc.
Cito a Bíblia apenas como um contraponto inicial e reforço de meus argumentos sobre a revolta que a bicharada deve sentir ao ser dominada pelo pior dos animais – o ser humano.
E escrevo isto por causa dos recentes acontecimentos no Oriente Médio, lá onde a Bíblia foi escrita e onde nasceram e ainda vivem, ao menos parcialmente as “civilizações” judaico-cristãs.
Temos lá Israel bombardeando Faixa de Gaza e Irã. Irã respondendo e algumas nações, ditas cristãs, oferecendo ajuda a um dos lados, Israel.
E por que essa brigalhada entre os membros do mundo árabe (salientando que Israel e seus inimigos, na verdade provêm do mesmo tronco ancestral)?
O Irã há muito tempo quer fabricar suas próprias bombas atômicas. O resto do mundo já possuidor do mortífero armamento não quer de jeito nenhum que o país também tenha essa potente forma de dissuasão belicosa.
E aí começa a matança de inocentes. Crianças, mulheres, idosos, doentes, homens e, até militares ...
Agora, faço um pergunta: alguém conhece alguma animal predador, leão, onça, tubarão, sucuri, qualquer espécie que dependa do ataque a outro animal vivo para sobreviver que haja como os homens, matando muito mais do que o que baste para a momentânea sobrevivência?
Quanto eu saiba, um lobo sai em matilha para caçar, mas nunca fazem extermínio coletivo dum rebanho de alces, gnus, etc. Pegam apenas o necessário para seu alimento naquele momento. O leão, a onça e tantos outros agem da mesma forma. Isto porque os bichos (que não são racionais – segundo dizem) sabem que se exterminarem com os componentes da sua cadeia alimentar, em breve eles, os predadores, também serão exterminados. Simples assim.
Os racionais, porém, desde muito desenvolvem máquinas de morte e extermínio, não para garantir alimento, mas por mera ganância, sede de poder, fanatismo político e religioso, todos demonstrações da faceta maligna do dominador de todos os irracionais.
A própria Bíblia prevê o final catastrófico deste mundo.
Infelizmente tem completa razão. A humanidade caminha para seu fim a passos de gigante e cada vez mais acelera o passo.
Enquanto milhões morrem de fome por falta de comida, água, saneamento, os “donos do mundo” gastam muito mais do que seria necessário para socorrer as necessidades destes povos com armamentos, aviões, mísseis, bombas, navios, submarinos, etc.
Conhecem algum bicho que desenvolva máquina de morte para matar outro bicho?
A internet está cheia de vídeos onde o predador quebra a cara.
É leão, tigre e pantera que morrem nos chifres de búfalos e outros “almoços” deles.
Mas nunca vi caso de animal usando uma simples faca, um pedaço de pau, uma pedra para matar outro.
E o homem dominará sobre todos os animais ...
Tem horas em que a vontade é de que haja uma baita reviravolta e que a bicharada tome conta deste mundão sem jeito.
Talvez se os tigres e outras feras conseguissem um jeito de ir comendo um tirano, um fanático, um louco, um megalomaníaco por dia, a humanidade conseguisse voltar ao que estava nos planos do seu Criador.
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Crônica para Descontrair
Fará parte do Livro que será lançado ainda este ano sobre as vivência do Vilsom "Lambe-Lambe-Retratista" BARBOSA no mundo da aviação leve, geral, experimental, etc. ...
O
ULTRALEVE KAMIKASE DO PACHECO
Pois o Pacheco gostava muito de furungar nos seus “aparelhos”. Se estivesse ruim, tinha que melhorar, se bom, tinha que revisar, se estivesse excelente, tinha que abrir para ver como é que se fazia para deixar daquele jeito ...
E
mais futricava do que voava.
Num
belo dia encasquetou que o seu ML 200, 300, 400, 401, sei lá, estava com algum
problema de carburação. E mãos à obra.
Desmontou
o carburador, limpou, assoprou, regulou e tudo o mais que uma
furungação de respeito exige...
Veio
a hora da montagem que, para mim, é a pior de todas: como mecânico desmontador,
até quebro o galho, mas como montador, sempre enfrento a famosa sobra de peças
...
Pois
o Pacheco era um futricador mais preparado: montou o carburador e
não sobrou peça. Infelizmente.
Após
montado, nada restava, senão colocar o carburador no ultraleve. Colocado, havia
que testar o funcionamento.
Como
o aviãozinho ficara um bom tempo sem funcionar, a bateria se fora e o jeito era
fazer pegar na manivela. O improvisado mecânico aeronáutico passou à categoria
de relojoeiro: dê-lhe corda ...
O
ML estava meio temperamental naquele dia e não queria pegar. Ou queria
preservar o dono.
Finalmente,
quando o homem já estava com o braço que nem o do Popeye de tanto dar hélice, o
ML pegou.
Como
todos sabem, neste tipo de avião, ao se dar hélice, fica-se numa posição
bastante perigosa, entre a dita e o conjunto leme/profundor. Pois
foi nessa posição perigosa que o motor pegou a pleno, porque o novel
especialista em carburação montara alguma coisa errada.
Veio,
então, a luta por segurar a cavalaria do motor, que, no caso tinha comido muito
milho e estava com energia de sobra. Não deu outra: o avião foi mais forte e a
traseira do ultraleve passou por cima do apavorado mecânico que, por pouco não
foi arremessado contra a hélice girando a mil.
Avião
é feito para voar e foi o que aconteceu com o recém-consertado ultraleve. Horas
e horas decolando, pousando, cruzando pelos céus, que, no subconsciente da
máquina, ficam gravadas todas as dicas do piloto ou instrutor, e ninguém ignora
que avião tem alma, vontade, temperamento ...
Ganhou
os céus de Gravataí o avião do Pacheco.
Mas
não pensem que decolou de uma pista em meio a grande área deserta.
O aeródromo além de curto, cercado de redes elétricas e árvores,
ainda tinha a “vantagem” de estar rodeado por vilas na maior parte dos lados
e, num outro, pela obra da GM.
Todos nós, pilotos, não
resistíamos à tentação de ver o progresso da primeira fábrica de automóveis a
se instalar no RS. Por isso o aviãozinho já sobrevoara várias vezes tal obra e,
como ultraleve também é bicho curioso, mesmo sem piloto, o ML encasquetou de
ver a montadora.
Quando
o Pacheco viu o avião rumando para aquelas bandas, dizem que foi um tal de
pegar-se com todos os santos conhecidos e os que estão por ser canonizados. Se
caísse nas instalações da multinacional, mesmo vendendo tudo o que tinha, o
homem teria de reencarnar um montão de vezes, para pagar o prejuízo.
Dê-lhe
rezar.
Ou
por serem fortes as rezas, ou por ter quase todo o avião alguma tendência, o
aeromodelo criado a Toddy começou a fazer uma curva.
Vendo
as preces atendidas, o Pacheco, homem reconhecido, começou a rezar pela graça
alcançada.
O
solitário brinquedo voador curvando, curvando.
Quando
o fervoroso cristão abre os olhos, eis que um
ultraleve kamikaze vinha na final dum mergulho certeiro e mortal.
Que
rezar, que nada. O Pacheco, mais o seu Oly, seu guarda-campo e guarda-sítio,
correram para trás das colunas do hangar, na esperança de não serem atingidos
diretamente pela mortífera aeronave.
O
guerreiro invisível sabia muito bem o que queria e prosseguia com os dois na
alça de mira.
Foi
um tal de pedir perdão dos pecados, que os céus, donde vinha o perigo, tivessem
piedade e acolhessem duas almas cristãs no paraíso.
O
Céu ou o Inferno deviam estar com problemas de superlotação e, uma providencial
rajada de vento bateu no leme da máquina exterminadora.
O
ultraleve recém-regulado, com motor afinadíssimo, rendendo todos os hps
possíveis foi, incrivelmente, estatelar-se numa lavoura de cana a
apenas 100 metros da pista, mas ainda dentro do sítio de seu piloto, sem causar
qualquer dano a terceiros. Nem destruíra a GM, nem matara ou ferira os dezoito
ocupantes de cada uma das casinhas ou barracos das vilas próximas.
Dizem
que depois desse susto o Pacheco furungava, mas, em carburador, nunquinhas.
O
referido é a mais pura verdade e dou fé.
Nota
do Escrevinhador: o Pacheco agora anda revisando carburadores lá pelo Céu, onde
não tem GM, pista curta ou vila superpopulosa nos arredores. Se der problema,
tem um monte de anjos para segurar um ML pela ponta das asas e trazê-lo de
volta sem danos ...
domingo, 8 de junho de 2025
Sobre esta fria manhã de domingo - e o causo de um certo pouso - 08-06-2025
https://blog-do-vilsom-barbosa.blogspot.com/2025/06/pajadinha-sobre-esta-fria-manha-de.html
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Mais um História do Livrinho que Sairá em Breve ... (Quando?)
O
Pouso Perfeito
Todo
o mundo sabe que um bom piloto é aquele que sabe pousar bem. Tem sujeito
corajoso, pé-e-mão uma barbaridade, prudente quando necessário, possuidor de
excelentes conhecimentos teóricos e práticos, experiente e cheio de outras
qualidades que, no entanto, põe tudo a perder na hora do pouso.
Assim,
a gente vive tentando melhorar, fazer aquele pouso perfeito, que é conseguido
quando a gente põe o avião no chão sem que ninguém note, inclusive o piloto.
Pessoalmente
sempre gostei de praticar pousos. Voar para mim é muito gostoso, posso ficar no
comando horas e horas, mas se não me deixarem fazer ao menos um pouso, fico
frustrado. Como é gratificante a gente fazer o famoso manteiga, deixar todo o
mundo babando e sair, assim meio desligado, fazendo de conta que aquilo é a
coisa mais normal do mundo, que sempre acontece ...
Até
que aprendi e fiz muitos pousos em pistas críticas ou até fora de qualquer tipo
de pista, sem danos ou com danos mínimos.
Há
porém experiências que nos marcam.
Tinha
que fazer um traslado que também incluía a travessia do Guaíba e andar mais um
bocado no rumo oeste. Para a aviação normal, variações de vento até que não
atingem tanto o piloto, pois normalmente se decola de boas pistas, com aviões
pesados, menos sensíveis e logo se vai
para as grimpas do céu onde as turbulências são menores. Agora, para
ultraleveiros é uma desgraça. Se uma vaca dá um peido quando tu estás
sobrevoando o bicho, lá temos uma asa subindo violentamente ... Um leve brisa cria uma turbulência orográfica
que nos afrouxa até as unhas, de tanto sacudir. Mas é a opção ...
Pois
bem, já decolei com um Noroeste caborteiro, ventinho quente, manhoso,
amolecedor de comandos, traiçoeiro, perigoso ... Mas tinha que voar e lá me fui
brigar com as turbulências.
Saí
de Itapuã aproei um pouco à direita do
circuito de tráfego de Belém Novo, o que me levava para uns morros duns
seiscentos pés, perfeitamente indicados para me recepcionar com um rotor, já
que o Noroeste vinha do outro lado dos tais morros.
Justamente
quando me aproximava da zona de turbulência, aparece um ruído todo estranho,
tipo hélice frouxa ou alguma peça do motor roçando em algo.
Com
a garganta totalmente seca e a testa totalmente molhada dei um jeito de rumar a
Belém Novo, coisa duns cinco minutos e torcer para não perder a hélice, o
motor, sabia lá ...
Interiormente
ressequido e exteriormente ensopado, fiz a aproximação de emergência e me fui
para o pouso, numa pista de asfalto, com uma pandorga e vento de través. Estava
bem arrumado.
Mas
o que se aprende bem, nunca se esquece. Com pane ou não, pouso era pouso e não
havia necessidade de atirar o aparelho no chão, pois, para um ultraleve, Belém
Novo é um mundão de pista.
Assim,
caprichei, mas nada de tocar.
E
dê-lhe comer pista.
Pensei
com meus botões: “Mesmo com essa imensidade de pista, se continuar flutuando
desse jeito, vou furar.”
Comecei
a ceder o manche, fiz até uma pequena arte e tirei uns graus de flape, com
cuidado.
E
sempre flutuando.
Quem
disse que ouvia o gritinho do toque dos pneus no asfalto?
Aí
me envaretei e, com muito jeito fui cedendo o manche, até chegar quase ao
espetamento, mas nada do toque.
A
estas alturas o Netuno já devia estar pensando: “O que deu nesse idiota, que
sempre pousou tão bem. Vai ser boca-aberta prá lá! Tocou bem no início da pista
e já faz uma eternidade que continua tentando pousar...”
Mesmo com o pavor da pane, instintivamente
fizera tudo certo, mas tão certo, que os pneus tocaram tão suavemente o asfalto
que fiz o papel de marido traído: o último a saber que já pousara.
Quanto
à pane, mais uma vez o magnetozinho fora pro saco, se desmanchara por dentro.
Ainda bem que não entrou em curto e não me toca fogo no ‘aparelho’.
Aí,
só de birra voei uns dois anos só na bateria (duas bem carregadas), vendi o
Netuno, que ficou dois anos com o Franzen, recomprei e a primeira coisa que fiz
foi retirar o magneto e voltar para as baterias. Sabem como é, quanto menos
peça girando, melhor.
E
voei mais um ano e meio até vender o ‘Marimbondo’.




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