O que um piá de fazenda, flor de arteiro é capaz de fazer ...
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Lá pelo Ano da Graça de 1996, havia um certo fotógrafo, alcunhado Lambe-Lambe, em homenagem a seus colegas antecessores, que fotografavam nas praças de pequenas e grandes cidades. Quando por algum motivo lhes faltava água, não hesitavam em usar a saliva - cuspe, para quem não tem frescurite - nalgumas etapas da revelação. E distribuíam o líquido lambendo as fotos, que também não hesitavam em desbotar meio logo ...
Pois o Lambe-Lambe Retratista, como complementou o apelido o Jader Dutra, Decano dos Pilotos do Rio Grande do Sul, que aos oitenta e oito anos voa seus aviões, inclusive um RV-9(?), solito e faceiro como mosca em tampa de xarope, andava retratando cidades, empresas, praias, fazendas, granjas, etc. e que lá mais sei eu, lá por Santa Catarina - naquele tempo ainda Bela. Dito aprendiz de fotógrafo (ainda continua e não aprende ...) chegou lá por Tubarão à cata de avião para alugar, visando seus voos fotografantes. Sucedeu que, por algum motivo, não havia objeto voador e piloto disponíveis simultaneamente. Até que um piloto ou, acho que também picareta de aviões, veio com a sugestão de compra de um ultraleve.
- É barato, não tem tanta encheção de linguiça com o DAC (agora ANAC), pousa em pista curta. Serve como uma luva para o teu caso.
Como não poderia fotografar ali por falta de avião e na falta do que fazer, dei corda ao assunto:
- E onde encontro um ultraleve por aqui? - falei por falar.
- Ué, compra o do Sombra. É um Netuno, motor de fusca, fácil e barata manutenção. Em qualquer beira de estrada tu chega num bolicho e arruma quem tenha uma vela, um platinado e outras peças mais comuns.
Como o Renato Vargas, meu colega de PP no Aeroclube de São Leopoldo tinha um e estava satisfeito, resolvi levar o assunto adiante.
- E onde eu falo com esse tal de Sombra?
Só então o sujeito deu-se conta de que estava meio brigado com o Sombra e que não poderia entrar de atravessador no negócio. De repente, ao ser interrogado sobre o endereço do Sombra, desconversou, disse que não sabia, essas coisas ... Apenas deu um indicativo do bairro onde estaria o Netuno. É lá no Oficinas, bairro onde ficavam as oficinas da antiga ferrovia.
Perdi um tempão procurando o Sombra, mas ele estava oculto nas sombras ... Até que alguém falou:
- Acho que tu tá procurando o Reginaldo, que é piloto executivo e mora lá pertinho do Aeroclube, umas duas quadras, se tanto.
Fui lá, mas o Sombra andava em voos pelo Paraná.
Resumindo um pouco. Depois de muitas idas e vindas, tempos e contratempos, chove-e-não-molha, chegamos a um acordo e o tal Netuno passou a ser meu e da patroa do momento, pois ela concordou em abrir mão temporariamente de sua Variant azul-pavão, ficando com o lado direito da aeronave e eu com o lado esquerdo. Caso não conseguisse pagar-lhe a Variant foi-me dada a opção amorosa de continuar voando apenas com o meu lado ...
O Sombra, que estava "de a pé" quanto a carro-próprio, ficou contente por ter um "moderno" automóvel em sua garagem.
Eu, um eterno locatário de tecos para meus retratos, também fiquei bobo que nem guri de bombacha nova.
- Sombra, vais ter que me dar uns duplos.
- Sem problema.
E nos fomos. Eu na esquerda, ele na direita, de instrutor.
Um dos voo duplo mais rápidos que fiz em minha vida. Acho que três turnos de pista e, sem mais aquela, o comandante começou a falar que era suficiente, que eu era um PP experiente, que sabia o que fazer com um avião como o Netuno.
Ele encurtou o Curso Intensivo por dois motivos: a) o motor, sempre que era um pouco mais exigido, aquecia muito - só funcionando quase bem com apenas um passageiro; b) ele, que gostava duma birita estava necessitado de dar uma "calibrada no braço".
Prometeu que ia em casa, almoçava e, questão de uma hora depois estaria de volta.
Quando informei o pessoal que acorrera ao Aeroclube para ver o que estava acontecendo, pois o Netuno estava parado há mais de ano, que estava aguardando o Sombra para dali a pouco, riram de se dobrar.
- Se amanhã é "daqui a pouco, tudo bem".
De fato, o homem sumiu.
Agora imaginem se um fominha como eu, diante de seu primeiro avião próprio (ultraleve, mas avião) iria se aguentar sem voar até o dia seguinte.
Foi pra já que comecei a fazer meus turninhos de pista. O Sombra, que já calibrara o braço, almoçara, dormira a mais não poder, quando se acordou da sesta, ouviu um ronco de motor passando sobre sua casa.
Pensou: "Esse Barbosa, pode não ser bom piloto, mas que tem colhão, ah, isso tem. Acho melhor ir lá antes que ele apronte alguma".
Chegou e quando voltei para uma descansadinha, lá estava a figura.
- Eu te disse que era fácil de pegar o jeito e "vestir" o avião.
- Nem vou entrar mais. Continua solo - acrescentou.
Mais uns turnos de pista, tudo nos conformes, tive que parar, pois estava ficando tarde e o galpão de uma empresa vizinha seria nosso hangar improvisado. Ocorre que não tinha largura de porta adequada e para botar o avião lá dentro (12 m de envergadura) foi um "Deus nos acuda".
Já anoitecia quando o "meu avião" estava guardado.
O Paulo, meu irmão, mais o piloto-operador nos mandamos pro hotelzinho.
Quase não dormi aquela noite, esperando que clareasse, a fim de fazer uns voos com a atmosfera lisa e tranquila.
Suamos para tirar o Netuno do galpão-hangar e pra já lá estava o "Lambe-Lambe" fazendo mais uns voos, para pegar bem o jeito e ficar confiante para o traslado de Tubarão a Porto Alegre.
Para prestigiar o meu ajudante Paulo, o convidei para um turno de pista, pois era cedo e a temperatura do ar era tolerável.
Decolamos, fizemos um turno de pista, eu com o olho na temperatura de cabeça de pistão, quase entrando no vermelho na subida, pois o Paulo estava pesando 95 quilos na época e o motor estranhou a sobrecarga.
O pouso foi quase normal, mas o teco deu uma flutuadinha, fiz o certo, dei um toquezinho no motor, mas no novo toque também não ficou colado ao solo.
O "saco" se assustou e falou alto:
- Arremete.
Eu, mero PP, sempre ouvindo os instrutores, no automático achei que a ordem vieram dum deles e arremeti.
O motor que mal saíra do vermelho, com a descida, mas que tava no limite, entrou no crítico e o manicaca aqui, começou a reduzir, tentando baixar a temperatura do motor.
Reduzindo, baixando, reduzindo, baixando, até que o passageiro falou:
- Quase batemos no abacateiro!!!
Empurrei a manete, o Volkswagen de um gemido-suspiro, mas aumentar o giro, nem pensar.
Tentei curvar rumo a uma lavora de arroz, à esquerda.
Quando olhei a velocidade, me apavorei, estávamos a 29 milhas, velocidade do estol.
Gritei:
- Essa merda vai ...
- Cair - que saiu somente quando já estávamos devidamente enterrados num bananal.
Eu estava ileso.
Olho para a direita e não vejo no banco o carona: que estava no escuro do bananal, amontoado embaixo do painel de instrumentos:
- Tu tá bem? perguntei.
- Acho que sim.
E foi se erguendo vagarosamente, sem grandes gemidos ou reclamações de dor. Não é que estava ileso também?
O desinfeliz, sei lá por qual motivo não colocara o cinto.
Claro que também foi culpa minha, que não chequei o cinto dele, mas o início de minha carreira de operador-piloto não foi assim, uma Brastemp ...
Bem à esquerda, Sombra; camisa branca - amigo do Sombra, mecânico; magrinho sem camisa - saudoso Krupp; que estava indo a Curitiba buscar seu Kitfox, que depois foi meu; regata cor não - Renato Vargas; a seguir, sem camisa também saudoso Laurindo; último à direita - mano Paulo.
Temperatura de nove graus.________________________________________
Muito tempo depois,
Tanto Inter quanto Grêmio
Até merecem um prêmio,
Pois jogaram bem, os dois.
“É carreta atrás dos bois”!
Finalmente o esperado,
O futebol bem jogado.
Que prossigam nesta senda
Diversão e, ainda, renda
Pra Grêmio e pra Colorado!
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Tempo
Para felicidade de meus cinco seguidores, não me atrevo a cantar a paródia, apenas tento declamar ...
As três pessoas que ouviram, emntiram pro Vovô e disseram que haviam gostado.
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DEU A LÓGICA
Na infância, adolescência e juventude sempre joguei futebol. Nunca fui um expoente no esporte, mas sempre dei o melhor de mim em disputas por mero divertimento.
Era goleiro e dos bons. A prova é que quando estávamos na quarta série ginasial, acho que oitavo ou nono ano de agora, todos na faixa dos catorze aos dezesseis anos de idade, formamos um time de nossa turma, sem grandes pretensões.
E fomos jogando, desafiando times de atletas experientes e, em teoria, muito melhores do que nós. A progressão foi tal que chegou a vez de desafiarmos o muitas vezes campeão da cidade de Santiago, o Municipal. Como eles sabiam que éramos um piazedo que nunca perdera uma partida, sempre arrumavam uma desculpa e nunca aceitaram jogar contra nós. Resumindo, chegou o final do ano e muitos dos colegas, inclusive eu, saímos da cidade e o time terminou sem nunca haver amargado uma derrota.
Mas voltando à derrota de hoje, ver um sujeito que ganha milhões para brincar com a bola, errar um pênalti logo no início do jogo, é dose.
Jogar futebol é, sem dúvida, um brinquedo e sempre tivemos exemplos de jogadores que jogavam com o mesmo prazer da criançada disputando uma pelada de pés descalços, em rua de paralelepípedo,
O sujeito de hoje comunicou ao goleiro da Noruega onde iria bater, não por algum meio tecnológico moderno. Para piorar a coisa, usou sinal de fumaça, comunicação lenta, dando todo tempo do mundo para o goleiro escolher o canto para onde voar. Deu no que deu.
Acho, inclusive, que esse time aí foi longe demais. Não só por culpa dos jogadores: o futebol virou uma enorme máquina de fazer fortuna de privilegiados que deitam e rolam. FIFA, CBF, CONCACAF (é assim que se escreve? - ou é com Bic?) são entidades arrecadadoras de fortunas e não há como negar que muita gente vive do futebol, sem jamais ter dado um chute ... Inclua-se aí boa parte da mídia.
É vergonhoso ver um atleta que ganha num mês o que a esmagadora maioria dos brasileiros não ganha numa vida inteira, não ter a competência de fazer um gol de pênalti.
E a prova de que o amor à camiseta pode compensar a falta das fortunas que correm por trás da indústria do futebol foi a Seleção de Cabo Verde. Em sua primeira participação em Copas, com atletas saídos de uma população de pouco mais de quinhentos mil habitantes foi muito longe, cobrando preço alto de países com enorme tradição futebolística.
Seria como Caxias do Sul formar uma seleção capaz de chegar à fase do tudo ou nada.
Os atletas que hoje pareciam estar ligando muito pouco para ganhar ou perder, teriam a consciência de devolver o enorme volume de dinheiro recebido para fazer este fiasco? A vergonhosa Seleção dos sete a um tomados da Alemanha, dizia que estava envergonhada, mas, ao que eu saiba nenhum daqueles mercenários devolveu um centavo. Sequer pensaram em doar o imerecido recebimento a instituições carentes.
Em minha modesta opinião, jogador para ir à Copa devia ir apenas pelo amor à camiseta, por patriotismo, para defender as cores de seu país, sem interesses financeiros. Com certeza as disputas seriam muito mais heroicas e emocionantes.
Desde o início tinha o pressentimento de que esse time que jogou hoje já tinha ido longe demais.
Todos sabiam que a Noruega não seria fácil. Esse italiano que é nosso técnico não sabia disso? Será que não exigiu treinos e mais treinos de cobrança de pênalti? Ou agiu como o técnico alemão desta Copa, cujo time errou três das cinco cobranças?
Salientando que no mata-mata pênalti é situação mais do que previsível.
Tenho para mim que o futebol virou uma máquina de fazer dinheiro e que há muito o que interessa não é o espírito esportivo, mas o financeiro.
Bons tempos em que os campeões mundiais ganhavam um milésimo do que ganham os atuais atletas, mas jogavam com o principal objetivo de se divertir e honrar as cores de sua pátria, não de engordar as contas bancárias.
Quando este espírito ressurgir, me avisem. Aí acho que volto a gastar meu tempo em frente à televisão, para ver atletas vestindo a camiseta de seu país como manifestação patriótica, lúdica e abnegada.
Digo e não me arrependo, tanto que escrevi e não renego a escrevinhação.
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Os Donos da Verdade
Há uma certa corrente política, talvez até duas, que se intitula e se nomeia dona absoluta da verdade.
Dias atrás, sujeito pertencente a uma delas achou-se no direito de classificar os que não comungam com suas ideias como “falso isentão”. Isto é, para o filósofo e cientista político de porta de açougue, quem se diz moderado, quem combate os erros e admite os acertos tanto da direita como da esquerda, na realidade, se afirma não ser “lulista” é porque, na mente de dito sujeito cujo nome não cito para não dar destaque imerecido, o referido “não lulista” é “bolsonarista”.
Não sou “lulista” e os que me conhecem há muito tempo sabem que também não sou bolsonarista. Sou centro-esquerda, mas não posso esquecer que, por estranha coincidência, os dois piores escândalos de corrupção que tivemos no Brasil ocorreram quando os lulistas (esquerda, portanto) estavam no poder. E abro um parêntese para dizer que conheci pessoalmente apenas um pertencente à corrente do “Nove Dedos” que, quando ocorreu o “Mensalão”, desfiliou-se imediatamente do PT, por não aceitar aquela barbaridade.
Sou Brizolista, com orgulho, mas, se me provarem que Leonel de Moura Brizola também era corrupto, no mesmo momento deixarei de cultuar a memória do governante que mais fez pela educação no Rio Grande do Sul e no Rio de Janeiro. Ou me arrumem um outro governador que, nas mesmas condições de escassez de recursos, no final da década de 1950, início dos anos 60 plantou nos mais afastados rincões do chão gaúcho seis mil e trezentas escolas, as famosos “Brizoletas”.
Por onde ele andou, sempre defendeu com unhas e dentes nossas crianças e o investimento primordial em Educação.
Pois bem, cidadão dono da verdade e lulista: não me recordo de haver passado a ti uma procuração para que me nomeasse, duma hora para outra, como bolsonarista.
Como diria o Jânio Quadros: não sou-lho! (Como Jânio era perfeccionista da língua portuguesa, o certo seria não o sou, mas aí teríamos um cacófato ...)
Como vou ser bolsonarista, quando o homem, enquanto dirigia o país, ficava fazendo piadinhas com o sofrimento das vítimas da Covid e a dor dos que, como eu e como boa parte dos brasileiros, perderam amigos e familiares naquela pandemia?
Quem não sabe que o homem é destrambelhado na hora de abrir a boca.
Mas, em contrapartida, me digam quem foi que, na realidade, implantou o PIX no Brasil, em 2020? Alguns dirão que a ideia surgiu no Governo da Presidenta Dilma, ou seria Presidente Dilme? Pode ser que seja isto seja verdade, mas por que ela não implantou esta forma de pagamento? Seria medo de enfrentar o sistema bancário?
É um dos casos em que se deve dar o braço a torcer. O presidente que seguidamente falava de forma quase inadmissível a uma autoridade tão elevada, também fez coisas boas. Pena que desmanchava com a língua o que fazia com o cérebro ...
Este radicalismo exacerbado que tomou conta do país, em que algumas “mentes privilegiadas” se acham no direito de jogar toda a população em apenas duas panelas, a dos lulistas e a dos bolsonaristas, não leva a lugar algum. E mesmo que leve, por que não pode haver um outro caminho, um outro modo de ver e administrar este país-continente?
Não sou bolsonarista, não sou lulista e me reservo o direito de ser assim até quando eu quiser, por minhas convicções, coerência e formação moral e política.
Sem a interferência e qualificação de algum filósofo, intelectual, ou cientista político de meia tigela, formado em algum curso feito pela telepatia da internet.
E mais não digo porque não quero e me reservo o direito de não querer ...
28 de junho de 2026.
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Bastante decepcionado com os acontecimentos na pequena S. Vicente do Sul, onde, segundo falam, houve torturas brutais contra animais (gatos). Informam que, em rituais malignos chegaram, inclusive a colocar gato vivo em forno micro-ondas, anexo um vídeo com minha pajadinha sobre o caso.
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Ontem, sexta-feira, dia de corre-corre no trabalho, mas o "Lambe-Lambe-Retratista" não resistiu à beleza do espelho líquido na saída da Chácara.
E o piloto escondido no peito ficou "babando" por ter um teco-teco disponível para fazer uma arte e tocar os pneus na água. No voo que fiz há alguns anos, não me atrevi, por causa do ventinho e das marolas, como se vê no vídeo. (Em baixa resolução, pois a internet daqui não comporta uploads pesados.)
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Vai o frio se encordoando.
“Oigalê” inverno feio.
Será que não “hay” um meio
Dele ir se afastando?
O velho tá encarangando,
Mas que sorte mui marota:
Dois carpins antes da bota;
Continua a tremedeira.
O que alivia a porqueira
É que temos bergamota ... !!!
De vez em quando a gente tem que falar em política, embora eu ache que não seja o Face o lugar mais indicado, mas, tem horas em que não dá para deixar em branco a cara de pau duma certa rede de comunicação.